Zona Sul: Com horta e composteira, praça do Jardim Estoril é exemplo de sustentabilidade

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Instalada há quatro meses, composteira idealizada por morador transforma lixo orgânico em adubo e serve como modelo para outras regiões de São José

Foto: Lucas Lacaz Ruiz

Quem passa pela praça Rubens Castilho, no Jardim Estoril, na zona sul de São José, logo percebe que se trata de um ambiente diferenciado em relação a outros lugares públicos da cidade. No local são desenvolvidas práticas de sustentabilidade que impulsionam a cidadania e geram conscientização ambiental – além de contribuírem consideravelmente para uma área mais arborizada, agradável e limpa.

Quem ganha com o projeto piloto são moradores da região e também os frequentadores da praça, já que é de conhecimento público as diversas vantagens proporcionadas por ações ambientais. A conservação da praça Rubens Castilho é feita pela prefeitura em conjunto com moradores do bairro Jardim Estoril.

Foto: Lucas Lacaz Ruiz

Um deles, o fotógrafo Lucas Lacaz Ruiz foi o principal responsável por uma iniciativa pioneira em áreas públicas joseenses: a implantação de uma composteira há quatro meses. A técnica transforma lixo orgânico em adubo.

“Comecei um trabalho solitário de cultivo aqui na praça e conversando com as pessoas isso foi ganhando força e hoje há boa adesão. A parte mais importante deste projeto que precisamos incentivar é a educação. Com o exemplo da compostagem as pessoas aprendem a cuidar do seu lixo, a relação que isso tem com o aterro, com a emissão de poluentes. Essa iniciativa pode ser revolucionária e um modelo para toda a cidade”, afirma Lacaz, que cuida da praça há dois anos e meio. Ele relata que a composteira é feita de paletes de madeira cobertos internamente com tela sombrite.

Lucas responsável por uma iniciativa pioneira em áreas públicas joseenses | Foto: Life

O fotógrafo conta também que recebe ajuda de outros moradores do bairro e que em parceria com a prefeitura foi criada, além da composteira, uma horta orgânica – que é utilizada pela própria comunidade. “Recebemos ajuda da prefeitura, mas a praça precisa de algumas adequações como remanejar a torneira para um local próximo da horta e deixá-la disponível para utilização. Outro acerto seria trocar o anel de concreto que envolve uma árvore por terra. Também é importante fazer um trabalho de conscientização na equipe que corta a grama com a finalidade de não prejudicar os caules com os equipamentos utilizados para a poda”, destaca o fotógrafo, antes de revelar um fato interessante sobre a história da praça Rubens Castilho.

Miled Andere | Foto: Life

“Toda esta área era composta por fazendas de portugueses, que foram divididas em 300 lotes. A praça era um imenso terrão. Há mais de trinta anos alunos da Etep plantaram mudas, mas nenhuma se desenvolveu. Um morador chamado Miled percebeu que não havia nutrientes para as plantas crescerem. Então, Miled cavou 104 buracos e colocou lixo orgânico neles. Com isso a terra se tornou fértil”, conta. O trabalho de conscientização desenvolvido por Lacaz já resultou em diversos frutos. Mas ainda é preciso e viável muito mais.

“Existem vários pontos a serem trabalhados, em especial quem será o gestor da praça. O local oferece possibilidades para um grande trabalho com potencial de se tornar referência internacional. Para isso, é preciso alinhar as ações para gerar resultados. É um grande desafio. Temos que avançar muito”, encerra.

 

Prefeitura garante readequações e descarta retirar anel de concreto

Em conjunto, as Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade e Manutenção da Cidade informaram que serão instaladas mais duas torneiras na praça Rubens Castilho. As ações estão incluídas na programação de serviços.

Anel de concreto não será retirado | Foto Life

Quanto à livre utilização das torneiras para atividades de irrigação e conservação da horta comunitária, a prefeitura comunicou que o assunto será tratado junto ao grupo de moradores que atua na manutenção do local. Com relação à árvore cercada por anel de concreto, as pastas responderam que se trata da espécie exótica Ficus.

“Com o crescimento o seu sistema radicular foi comprometido e ficou enovelado dentro da área do concreto. A equipe técnica de arborização avaliou e concluiu que, caso seja retirada, a proteção ficaria susceptível à queda, já que suas raízes ficariam sem sustentação, mesmo que se tentasse compactar a terra”, diz a nota.

Composteira – A prefeitura confirmou que se trata de um projeto piloto que visa promover boas práticas sustentáveis em parceria com a comunidade e que os munícipes do entorno podem levar para as composteiras os resíduos orgânicos domiciliares como cascas de frutas e legumes. Sobre a expansão para outras praças, a prefeitura destacou que isto vai depender do interesse da população.

Torneira instalada longe da horta | Foto Life

Horta Comunitária – Com apoio da prefeitura, hoje a horta é visitada e cuidada pelos próprios moradores.

 

Poda sem cuidado | Foto Life

Corte de grama – Questionada pela reportagem sobre os cuidados com a vegetação, a prefeitura afirmou que as equipes de corte de grama da praça Rubens Castilho foram orientadas para executar o serviço sem causar danos às mudas e às árvores existentes no local.

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8 thoughts on “Zona Sul: Com horta e composteira, praça do Jardim Estoril é exemplo de sustentabilidade

  1. Somos seres humanos. Sabemos sorrir, chorar, construir. E as pessoas aqui envolvidas são pessoas sensíveis. Se preocupam com o próximo, com a cidade, com a natureza. Simples assim. Parabéns a todos os envolvidos. Estou emocionado…

  2. Parabéns Lucas pela iniciativa e perseverança, vemos vc dando seu suor literalmente nesse trabalho, um exemplo que a cidade e outros lugares precisam buscar seguir!
    Fico feliz de poder contribuir e tb não gerar mais lixo pra cidade.. e ainda conseguimos dar o exemplo pros nossos filhos.. esse legado é muito importante!!! 👏👏🙏

  3. Não existe horta nenhuma no local. Foram plantadas algumas mudas de ervas apenas, sendo que o capim já tomou conta de tudo.

    Essa praça é um antro de usuários de entorpecentes e local de encontro de marginais á noite para realização dos chamados “fluxos”.
    Não existe nenhuma iniciativa do poder público no sentido de resolver esses problemas.

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